segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

não sei contar carneirinhos

escuto os sinos do velho relógio
que reina majestoso na parede da sala
são cinco da manhã
ao longe os galos já estufam o peito
e anunciam a todos que o sol vai raiar
como pode o corpo tão exausto
e o sono não dar as caras?
será ansiedade?
mas ansiedade de quê?
de mais um dia igual,
aquela rotina besta
acordar, ler o jornal,
ficar com o estômago embrulhado a cada nova mesquinharia
que cometemos estampada nas manchetes
e deixam nossa existência cada vez mais miserável,
ficar de jejum até o almoço
e depois me preocupar com as pequeninas coisinhas dos meus compromissinhos?
ou será apenas a total inabilidade de existir
sem dor e estorvos, sem acumular o peso de velhas frustrações
até encurvar a coluna
e ter a nítida sensação de que as pernas não vão aguentar
mais um passo que seja?
ou se trataria daquele café melado, aterrado de açúcar,
um pouco antes de deitar?
pode ser mais uma noite de insônia
ou só tristeza