quarta-feira, 30 de setembro de 2009

uma coisa ou outra sobre o poeta

o poeta não possui o reconhecimento do romancista
nem o charme do cronista
muito menos o glamour do autor best-seller
ele vive no e do limite
suas palavras estão na e são a beira do abismo
sua escrita é forjada por urgência

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sobre solidão, justiça e video-game

Seria necessário abrir mão de um vasto leque de onomatopeias para se ter uma rasa ideia da miscelânia de sons percurssivos que os ágeis e pequenos dedinhos de oito anos faziam ao teclar o video-game portátil. Enquanto caminhavam em direção ao estacionamento, Lucas setenciou aos pais: "vou voltar com meu tio". O tio, saudoso do sobrinho que mora em outro estado, ficou todo satisfeito, afinal, seria um momento para jogar papo fora com Lucas, que tinha passado parte de sua criação, até os seis anos de idade, em sua casa. Logo, era como um irmão caçula.

Após os cuidados de praxe (banco de trás, sinto de segurança e trava na porta), iniciou-se o percurso de volta para casa. Quando ia puxar um assunto, o tio foi logo cortado, pois aquele era um momento decisivo contra o 19º chefão do 8º mundo do "Fatal Metal Street Killer Mega Blast Explosive Revolution 4 - Collector's Edition". Cabisbaixo, o tio se dá por vencido e liga o rádio. Já perto do fim do trajeto, percebe que os efeitos polifônicos do Nintendo DS cessaram. Surpreso, indaga:

- Já enjoou do jogo?

- Não, a bateria acabou.

- Ah, entendi.

Após alguns segundos de silêncio, o sobrinho questiona com voz angustiada:

- Tio, é verdade que um dia o sol vai morrer?

- É sim Lucas, o sol é uma estrela gigante que um dia vai se apagar. Mas por que essa pergunta?

- É que a tia falou disso na escola e falaram a mesma coisa no Discovery Kids. Poxa, mas não é justo.

- O que?

- O sol morrer.

- Por que? Não precisa se preocupar, não estaremos mais vivos até lá.

- Não é isso. Se o sol morrer, quem vai fazer companhia pra lua? Ela vai ficar sozinha, não é justo.

Após ouvir essa sentença, o tio deu um sorriso agridoce e não comentou mais nada. "É, pode se acostumar, Lucas, nada no mundo é justo", escondeu em pensamentos. Haverá tempo de sobra para o sobrinho perder a ingenuidade. Mas não agora.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

o segredo do poeta

a caneta do Quintana era de uma tal leveza...
devia se tratar de pena de anjo

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

AVC

atacaram vovó covardemente