terça-feira, 14 de dezembro de 2010

diminuto

cantava com sua voz miúda, miúda
coisas que vinham de seu coração inversamente proporcional

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

da falta de equilíbrio

não é novidade
essa dorzinha no fígado
um mal-estar persistente
a impressão de andar tombando
trôpego
mesmo perfeitamente de pé
existir é isso aí
uma constante sensação de embrulho no estômago

terça-feira, 31 de agosto de 2010

rebento

a falta de tempo
para preencher as linhas
deste poema bento
sagrado
extrai o unguento
espesso impuro lento
do ser que tento
expelir
expurgar
ver

sexta-feira, 16 de julho de 2010

amor acme

ela disse apenas
é o fim
seria mais fácil e cômodo
se uma bigorna gigante
caísse sobre mim

domingo, 11 de julho de 2010

respeitável público (it)

queria ter uma trupe
acordar toda manhã em um novo lugar
nunca saber pra onde a caravana irá
aprender truques mirabolantes
descobrir mil maneiras de fazer rir
e de sorrir vestindo vivendo fantasias
pra curar a falta de imaginação
tocar instrumentos diferentes a cada dia
violões violas ukuleles
cavacos banjos violinos
flautas cornetas tambores sonhos
acordes mágicos
queria ter uma trupe
soltar confetes em todas as praças
tirar pombos da cartola
ah, como queria ter uma trupe
se não fosse o pavor de palhaços

sábado, 29 de maio de 2010

#5

outro dia desmanchei
ao tocar a ponta do lápis
no papel

meus restos foram varridos
confundidos
com poeira de casa abandonada

corpo novo
velh'alma
m(eu) poema jazia na lata de lixo

terça-feira, 4 de maio de 2010

terça-feira

lapso de tempo
em pleno dia de trabalho
desço Santa Teresa
num bonde chamado desejo
de evaporar
nas curvas tortuosas
como os pensamentos
que passam pelo Rio
correndo lá embaixo
meu coração agarra-se
(vertigem)
forte ao apoio
com medo de desabar
do alto dos arcos

Carioca
fim da linha
dia que segue

segunda-feira, 26 de abril de 2010

tombée

(letra de música inspirada no poema postado em 08/03)

se você quer acreditar
em contos de fadas
e fábulas
que a vida faz sentido
que todos têm abrigo
num passe de mágica

um mundo cor de rosa é algodão
doce até demais

e sua esperança
é o tropeço numa dança
bailarina que cai
um passo dado em falso
o silêncio da plateia
sonho que se desfaz

segunda-feira, 5 de abril de 2010

rio calling

há de se abstrair o trânsito
quase apocalíptico
a falta de educação
e de civilidade
esqueçamos a vontade
de dançar ao som do Clash
na areia molhada
apaguemos a imagem
de uma onda dantesca
varrendo ipanema
seus carros com luzinhas vermelhas
buzinas faróis altos urgentes
vejamos da seguinte maneira:
é impressionante
como o Rio fica bonito
mesmo debaixo de chuva


segunda-feira, 8 de março de 2010

e sua esperança
é o tropeço numa dança
a bailarina que cai

sábado, 20 de fevereiro de 2010

# 4

você me pede um poema de amor

n
a
u
f
r
á
g
i
o

fico preso em um escafandro antipoético
inexpugnável
mergulhado nas profundezas de um mar
onde a falta de palavras é maior que a de luz
não há peixinhos coloridos ou sereias
ou poseidon ou netuno
sequer corda pra me trazer à tona

o poema de amor?
não sei
mas se tivesse um cachorro
com certeza ele o teria comido

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

# 3

fui arrebatado,
tomado de terror
tão violento foi
seu silêncio
após me ouvir dizer:
eu te amo

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

post-it

escrevi
uns versos
pra lembrar
que vivo

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

janeiro

o calor é tamanho
que pareço derreter feito dragão chinês
meio a contragosto
broto na beira d'água como um tatuí
logo eu, que detesto ficar estatelado
na areia
cozinhando tal qual um queijo coalho
uma nuvenzinha despretensiosa passeia
e só falto fazer dança da chuva
nada pra curar rabugice
como um bom banho de mar